Após mobilização, família fará traslado do corpo de maranhense encontrada morta em Portugal para o Brasil
01/05/2026
(Foto: Reprodução) Polícia de Portugal investiga desaparecimento de maranhense há 20 dias
Arquivo Pessoal
Familiares da maranhense Francisca Maria dos Santos, de 44 anos, encontrada morta em fevereiro deste ano em Viseu, em Portugal, após passar oito meses desaparecida, informaram ao g1, nesta sexta-feira (1º), que conseguiram arrecadar a quantia necessária para fazer o traslado do corpo ao Brasil.
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O artista plástico Antônio José, irmão de Francisca, informou que a previsão é que o corpo chegue ao Brasil somente na próxima semana, devido a questões burocráticas causadas pelo feriado internacional do Dia do Trabalho e pelo fim de semana.
Segundo Antônio José, como a família ainda não tinha reunido recursos suficientes para o traslado, chegou a cogitar o sepultamento de Francisca em Portugal, previsto para a próxima segunda-feira (4), sem a presença de familiares.
No entanto, após arrecadar a quantia por meio de vaquinhas e rifas organizadas por amigos e parentes que vivem no Brasil e na Alemanha, os trâmites para trazer o corpo foram iniciados ainda na tarde de quinta-feira (30).
“O valor que foi passado pela funerária, a gente chegou a ele com a ajuda de uma parente nossa que vive na Alemanha, que fez uma vaquinha e nós juntamos com o valor que nós arrecadamos aqui no Maranhão. Então nós conseguimos, aos trancos e barrancos, o valor para fazer o traslado, para trazer o corpo para o Brasil. Ainda não consegui falar com todo mundo, mas só tenho a agradecer a todas as pessoas que nos ajudaram em tudo isso”, afirmou.
Ainda segundo o irmão da maranhense, a família ainda precisará contratar um outro serviço funerário para realizar o transporte até São Luís e, em seguida, até o município de São Bernardo, cidade natal de Francisca.
“O que era mais pesado era conseguir fazer o traslado do corpo de Portugal para cá, mas agora que a gente conseguiu, essa segunda parte eu acredito que seja mais fácil”, completou.
Família relata falta de assistência
Antônio José também demonstrou indignação com a atuação das autoridades portuguesas e com o Governo Brasileiro pela falta de apoio à família durante o período em que Francisca esteve desaparecida.
Segundo ele, os parentes só foram informados muito depois da imprensa sobre a localização do corpo da irmã e não receberam a assistência necessária para lidar com os trâmites burocráticos ao longo do processo.
"Foi um processo muito difícil, por exemplo, só ficamos sabendo que o corpo dela havia sido localizado muito tempo depois. Aqui no Maranhão, tentamos de tudo, enviei muitos e-mails, falamos com o embaixador, o Itamaraty, com políticos locais, mas ninguém conseguiu nos ajudar. Não é todo dia que morre um brasileiro lá fora nessas circunstâncias. Isso é muito revoltante", disse o artista plástico.
Últimos registros
Polícia de Portugal investiga se corpo em Viseu é de maranhense desaparecida
Francisca foi vista pela última vez em 20 de junho, nas proximidades da casa onde morava, em Tabuaço, município do distrito de Viseu, local onde os restos mortais foram encontrados. Próximo ao corpo, segundo informações divulgadas pela imprensa local, estavam chaves e um par de tênis.
No dia do desaparecimento, a vítima teria saído de casa à noite para jogar o lixo em uma lixeira pública. De acordo com o irmão, Francisca tinha viagem programada para visitar a família no Maranhão.
Após o desaparecimento, Antônio viajou para Portugal para acompanhar as investigações. Ele chegou a criticar a demora inicial nas respostas e a condução das primeiras buscas.
Vida em Portugal
Francisca Maria dos Santos, de 44 anos, foi encontrada morta em fevereiro deste ano em Viseu, em Portugal, após passar oito meses desaparecida.
Reprodução/Redes Sociais
Natural do povoado Nova Esperança, no município de São Bernardo, no Maranhão, Francisca morava havia cerca de quatro anos em Portugal, na cidade de Tabuaço.
Segundo o irmão, Francisca informou à família que faria a viagem ao Brasil acompanhada do namorado. Após o relato, a Polícia Judiciária chegou a realizar buscas na casa do companheiro.
Francisca trabalhava como cozinheira em um restaurante e, segundo a família, estava bem integrada à cidade. No dia do desaparecimento, a televisão e as luzes da casa ficaram ligadas, o que levantou a suspeita de que ela possa ter saído às pressas.
O desaparecimento foi comunicado no dia seguinte pelo namorado, identificado apenas como Luis, que acionou a polícia portuguesa. O patrão da vítima também percebeu a ausência quando ela não compareceu ao trabalho.
Segundo Antônio, Francisca mantinha contato diário com a família por videochamadas e demonstrava estar feliz com a nova fase da vida em Portugal. O último contato com a família ocorreu em 20 de junho do ano passado.