Artista maranhense Marlene Barros abre exposição sobre o feminino em Belo Horizonte

  • 04/03/2026
(Foto: Reprodução)
Artista maranhense Marlene Barros abre exposição sobre o feminino em Belo Horizonte Larissa Micenas/Divulgação A artista maranhense Marlene Barros abre, nesta terça-feira (4), a exposição “Marlene Barros: tecitura do feminino” no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH), em Belo Horizonte. A mostra reúne 13 obras em escultura, crochê e bordado e propõe uma reflexão sobre o corpo feminino e a invisibilização histórica das mulheres na arte. A exposição fica em cartaz até 1º de junho, nas galerias do térreo do CCBB BH, de quarta a segunda-feira, das 10h às 22h. A entrada é gratuita, com ingressos disponíveis no site do centro cultural e na bilheteria. A programação inclui ações formativas ao longo do período. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp Natural de Bacurituba, no Maranhão, Marlene Barros tem mais de 40 anos de atuação e é referência no cenário artístico maranhense. Ao longo da carreira, desenvolve trabalhos que dialogam com o universo feminino, abordando temas como maternidade, sexualidade, erotismo, paixão e violência. A artista também coordena o Ateliê Marlene Barros e o Ponto de Cultura Coletivo ZBM, onde atua na formação de novos artistas e na articulação cultural. Com curadoria de Betânia Pinheiro, a exposição transforma o gesto de costurar em ato político e poético. A proposta é discutir como o trabalho manual feito por mulheres foi historicamente desvalorizado e restrito ao espaço doméstico. “Durante séculos, mãos femininas bordaram silêncios, costuraram ausências e coseram memórias em linhas quase invisíveis. Restrito ao espaço doméstico e marcado pela desvalorização histórica, o trabalho das mulheres foi frequentemente relegado à condição de artesanato, visto como menor e privado. Por isso, neste projeto, agulha e linha tornam-se instrumentos de denúncia e elaboração simbólica: cada ponto carrega um grito contido, uma história que resiste ao esquecimento”, explica Marlene Barros. A pesquisa que originou a mostra começou durante o mestrado da artista em Arte Contemporânea, na Universidade de Aveiro, em Portugal. Segundo ela, a ideia surgiu a partir de uma ação simbólica. “A proposta era costurar uma casa em ruínas, situada dentro do campus Santiago, que chamava minha atenção sempre que eu passava por lá”. Para Marlene, a casa tornou-se metáfora do corpo feminino. “A minha intenção não consistia apenas em abordar questões relacionadas à casa, mas utilizar essa prerrogativa para ir além e tocar em aspectos ligados, principalmente, ao universo feminino”, afirma. Ela acrescenta que a tecelagem ultrapassa o trabalho manual. “Do entrelaçar das linhas como metáfora para vínculos familiares, passando pelo fazer feminino em si, até o fluxo da vida”. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Corpo e padrões CCBB BH abre o Mês da Mulher com exposição maranhense “Marlene Barros: tecitura do feminino” Larissa Micenas/Divulgação As obras discutem a forma como o corpo da mulher foi historicamente reduzido a padrões de beleza e submetido a julgamentos. A exposição questiona como esse corpo passa a ter maior ou menor valor conforme atende ou não às expectativas sociais. Marlene também aborda a exclusão das mulheres em espaços profissionais, especialmente nas artes. “Eu fui escolhida para falar sobre o feminino. Nunca nem pensei em falar sobre outra coisa”, declara. Entre os trabalhos apresentados estão: Eu tenho a tua cara – Instalação com 49 rostos de mulheres, com olhos e bocas trocados e costurados, que questiona identidade e construção das individualidades. Caixa Preta – Conjunto de caixas com fotografias, colagens, bordados e escritos, formando um autorretrato ampliado. Coso porque está roto – Casaco com órgãos humanos bordados no avesso, que associa a costura ao ato simbólico de reparo. Entre nós – Objetos em crochê que convidam à reflexão sobre atividades historicamente atribuídas às mulheres. Quem pariu, que embale – Obra que critica a responsabilização quase exclusiva da mulher pelo cuidado com os filhos. A montagem, coordenada por Fábio Nunes, propõe percurso livre, sem ordem cronológica, permitindo que o público construa sua própria experiência. Em um contexto marcado por casos de violência de gênero e feminicídio, a artista defende o papel social da arte. “A arte tem um papel fundamental porque cria espaços de escuta, questionamento e deslocamento de perspectivas. Ao mobilizar emoções, ela rompe a indiferença”, diz. Para ela, trata-se de “um espaço onde feridas sociais podem ser expostas, discutidas e simbolicamente reparadas”. Ações formativas CCBB BH abre o Mês da Mulher com exposição maranhense “Marlene Barros: tecitura do feminino” Larissa Micenas/Divulgação Durante todo o período da exposição, o público poderá participar de atividades em um espaço-ateliê, produzindo bordados, costuras ou crochês de forma livre. No dia 7 de março, das 15h às 17h, haverá visita mediada com a artista e a curadora. Em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, às 16h, Betânia Pinheiro ministra a palestra “Tecitura do Feminino: Processos”. A programação inclui ainda a oficina “Arpilleras de si”, conduzida por Maria Vasconcelos, artista, psicóloga e psicanalista. A atividade propõe o uso da arpilharia e do bordado livre como forma de expressão de memórias e vivências de mulheres. O resultado será uma obra-instalação que passará a integrar a exposição. A oficina será realizada em três etapas: de 11 a 14 de março e de 15 a 17 de abril, com Maria Vasconcelos; e de 11 a 15 de maio, com Marlene Barros. As atividades ocorrem das 14h às 17h. As ações formativas oferecem certificado de 12 horas. As vagas são limitadas e abertas a pessoas de todos os gêneros e idades.

FONTE: https://g1.globo.com/ma/maranhao/cultura/noticia/2026/03/04/artista-maranhense-marlene-barros-abre-exposicao-sobre-o-feminino-em-belo-horizonte.ghtml


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