Expresso Rei de França, antiga 1001, reúne funcionários para propor acordos voluntários diante da crise financeira

  • 21/02/2026
(Foto: Reprodução)
Sede da empresa Expresso Rei de França, antiga 1001, na Estrada da Maioba, em São Luís. Reprodução/TV Mirante Trabalhadores da Expresso Rei de França, antiga 1001, participaram de uma reunião na manhã deste sábado (21), em São Luís, quando a empresa apresentou uma proposta de desligamentos. Parte dos funcionários aderiu ao acordo. A reunião começou por volta das 9h e foi convocada pela própria empresa. A circulação de ônibus foi afetada e veículos ficaram na garagem, atingindo pelo menos 15 bairros da Grande São Luís. Funcionários relataram que a proposta permite acesso ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e ao seguro-desemprego. Segundo eles, salários atrasados, férias e tíquete-alimentação não estão contemplados no acerto. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp Veja os vídeos que estão em alta no g1 Há relatos de que o FGTS não é depositado há oito anos em alguns casos, e não há definição de como esses valores serão pagos. Nem todos os trabalhadores aceitaram a proposta. A situação de quem não aderiu ainda não foi esclarecida. Com os ônibus parados na garagem, passageiros ficaram sem o serviço em trechos atendidos pela empresa. Uma equipe da TV Mirante foi à sede da Expresso Rei de França, mas o gerente não concedeu entrevista. De acordo com funcionários, eventuais valores atrasados deverão ser cobrados na Justiça. A interrupção atinge moradores de pelo menos 15 bairros da região metropolitana. A Expresso Rei de França afirma que não houve decretação de falência, que a adesão aos acordos é voluntária e que a empresa segue em funcionamento, adotando medidas administrativas para reorganizar a operação. Leia mais abaixo a nota na íntegra. Entre as áreas que continuarão sendo afetadas com a situação da empresa de transporte coletivo estão Ribeira, Viola Kiola, Tibiri, Cohatrac, Parque Jair. Veja a lista completa: Ribeira Viola Kiola Vila Itamar Tibiri Cohatrac Parque Jair Parque Vitória Alto do Turu Vila Lobão Vila Isabel Cafeteira Vila Esperança Pedra Caída Recanto Verde Forquilha Ipem Turu O que diz a empresa? "A empresa esclarece que não houve decretação de falência , permanecendo suas atividades em funcionamento e adotando medidas administrativas necessárias para a reorganização operacional diante do atual cenário enfrentado pelo sistema de transporte público urbano. Na manhã desta data foi realizada reunião com trabalhadores de todos os setores da empresa, em ambiente transparente e de diálogo aberto, com o objetivo de apresentar a realidade operacional vivenciada e discutir alternativas responsáveis voltadas à proteção social dos colaboradores e à continuidade do serviço prestado à população. Como medida excepcional e de caráter humanitário , foi apresentada a possibilidade de adesão voluntária a acordos rescisórios, permitindo aos trabalhadores acesso imediato a mecanismos legais de proteção social, como saque do FGTS e habilitação ao seguro-desemprego, garantindo amparo mínimo neste momento de transição. A atual situação financeira enfrentada pela empresa decorre, em grande parte, das dificuldades estruturais vivenciadas pelo sistema de transporte coletivo, especialmente em razão de atrasos e ajustes realizados nos repasses de subsídios públicos destinados à manutenção do equilíbrio econômico-financeiro da operação. Tais recursos possuem finalidade específica vinculada ao custeio da operação e à manutenção dos empregos, conforme reiteradamente reconhecido em decisões judiciais de instâncias superiores, razão pela qual oscilações ou retenções nesses repasses impactam diretamente a capacidade operacional das concessionárias. A empresa permanece em diálogo institucional permanente com o Poder Público, sindicatos e autoridades competentes, buscando a regularização dos fluxos financeiros necessários à normalização das atividades e à preservação dos postos de trabalho. Reafirmamos nosso compromisso com os trabalhadores, com os usuários do transporte público e com a continuidade de um serviço essencial à cidade". Histórico de paralisações da 1001 Nos últimos dois meses, houve três paralisações dos rodoviários da 1001, por conta dos salários atrasados. A primeira greve foi iniciada em 14 de novembro de 2025. Na época, a categoria protestou contra o atraso de salários e pela falta de pagamento do plano de saúde, tíquete-alimentação e outros benefícios. Com isso, moradores de aproximadamente 15 bairros enfrentaram dificuldades para se deslocar. A paralisação durou 12 dias. Os rodoviários voltaram a trabalhar após a regularização dos salários, que aconteceu por meio de uma determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA), que obrigou a Prefeitura de São Luís a realizar o pagamento integral de um subsídio que é pago às empresas de transporte para que seja realizado o serviço de transporte público. O impasse acontecia porque a prefeitura alegou que os subsídios não são diretamente repassados aos motoristas para pagamento de salários, conforme acordo anterior, de modo que não deveria haver greve na categoria. A segunda paralisação aconteceu em 24 de dezembro, véspera do Natal. A categoria afirmou que não havia recebido o 13º salário, o adiantamento salarial e o ticket alimentação. Ao todo, 162 veículos deixaram de rodar. Os ônibus voltaram a circular só no dia 28 de dezembro, após ser firmado um acordo entre a categoria e o SET. Ficou definido ainda que não haveria descontos nos salários nem nos tíquetes-alimentação referentes aos dias parados, na folha de pagamento de dezembro. Negociações com as empresas Em novembro de 2025, o Sindicato dos Rodoviários do Maranhão encaminhou ao Sindicato das Empresas de Transporte (SET) uma proposta de Convenção Coletiva de Trabalho para o ano de 2026. Desde o início do ano, as entidades realizam reuniões, mas, segundo o Sindicato dos Trabalhadores, nenhuma contraproposta que atenda às reivindicações da categoria foi apresentada. De acordo com o presidente do sindicato, Marcelo Brito, não houve avanços nas negociações. Ele afirma que a única proposta apresentada pela patronal foi a criação de convenções coletivas distintas para os trabalhadores do sistema urbano e do semiurbano, o que foi rejeitado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Maranhão (STTREMA). Ainda segundo Marcelo Brito, o prazo para o fechamento da nova convenção coletiva está se encerrando. Caso não haja acordo, os rodoviários avaliam que a paralisação de todo o sistema de transporte público da Grande São Luís pode ser adotada.

FONTE: https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2026/02/21/expresso-rei-de-franca-antiga-1001-reune-funcionarios-para-propor-acordos-voluntarios-diante-da-crise-financeira.ghtml


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